MEI por necessidade: conheça histórias de quem empreendeu para sobreviver

Dandara Freitas, de 26 anos, deixou um emprego em um restaurante após 3 meses de trabalho.

Como os boletos não esperam, ela precisava fazer algo que a rendesse algum dinheiro. Usando as habilidades que desenvolveu com a vendas de brigadeiros, que fazia enquanto cursava o pré-vestibular, a estudante de gastronomia se formalizou como Microempreendedora Individual (MEI) para trabalhar com confeitaria.

Dandara é uma entre milhões de brasileiros que passaram a trabalhar como MEI nos últimos anos, diante da dificuldade de encontrar emprego e até de sobreviver em meio a crise econômica do país. Desde 2020, cerca de 6 milhões pessoas se tornam MEIs – 646 mil, só este ano. Atualmente há 14 milhões de MEIs no país.

Como no caso da agora confeiteira, uma pesquisa do Sebrae Nacional mostra que os brasileiros estão empreendendo por necessidade nos últimos três anos — utilizando a categoria como saída para ter uma renda e resolver os problemas financeiros.

“É cada vez mais comum o empreendedorismo precário criado pela necessidade da sobrevivência. Por isso, a minha orientação para aqueles que estão iniciando é que busquem formação ou se possível uma rede de proteção — pessoas que já estejam no mercado e possam orientá-los sobre o dia a dia de um MEI”, diz Rubens Massa, professor de empreendedorismo e novos negócios da Fundação Getúlio Vargas.
O negócio de Dandara deu certo: usando parte do dinheiro recebido na rescisão do antigo emprego, ela produziu ovos de colher em formato de coração, bombons e brownies, aproveitando a proximidade com o Dia dos Namorados.

Com o tempo, o empreendimento iniciado na cozinha de casa ganhou espaço nas redes sociais, como @instagram.com/dandocess, e passou a ser reconhecido para além da região de Campo Grande (RJ), onde vive.

Segundo ela, uma das suas maiores dificuldades é a administrativa e a financeira: “preciso de dinheiro, mas, mesmo com os insumos mais caros, tento não passar muito para os clientes, para que eles também não sejam afetados. Ainda não consigo dividir as minhas contas com a da empresa”, diz.

Empreendedorismo ou desemprego
No Brasil, sete em cada 10 Microempreendedores Individuais (MEI) tinham emprego com ou sem carteira assinada antes de se formalizarem como MEIs em 2022, segundo o Sebrae.

Michele da Silva, de 41 anos, se tornou MEI há dois anos e abriu um buffet na pandemia. Ela conta que, na cidade de Valença (RJ), é difícil ter emprego fixo, ainda mais com a flexibilidade de horário que precisava na época, para cuidar de seu pai que, tinha acabado de passar por um AVC.

Outro motivo que a levou a fazer o pedido de MEI foi a segurança de passar a ter direito a benefícios previdenciários, como aposentadoria, auxílio-doença, e salário-maternidade.

Michele conta que sentia mais segura sabendo que, caso precisasse de algum tipo de benefício da Previdência Social, não ficaria desamparada.

Pandemia
Assim como a maioria dos brasileiros, Michele também sentiu os impactos financeiros causados pela pandemia, em especial no seu formato tradicional de vendas, o famoso “boca a boca” .

“A maior parte das minhas vendas sempre foi por indicação. As pessoas conheciam o meu trabalho e indicava para outra. Com a pandemia, muitas pessoas da minha região morreram e as poucas que estavam vivas não tinham muito dinheiro”, diz Michele.

Foi então que ela começou a vender suas comidas (forno e fogão, variedades em salgadinhos e tortas.) pelas redes, com o @michelemarcelino.81, com a ajuda de amigos e familiares compartilhando suas publicações. As vendas aumentaram significativamente — o que a levou a ser convidada para participar de festivas e feiras, afirma.

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